Deixei de usar taxis, e a culpa é deles

Deixei de usar taxis, e a culpa é deles
Deixei de usar taxis, e a culpa é deles

A polêmica entre Uber e taxis já é um tanto antiga mas não parece que irá acabar tão cedo já que o “mercado antigo não quer dar espaço para o novo”. No Brasil então a coisa parece estar tomando um caminho bem perigoso já que alguns taxistas estão adotando técnicas de guerrilha para, literalmente, “combater” os motoristas de Uber e seus clientes.

Não preciso aqui lembrar dos casos de agressões físicas, ameaças verbais, trocas de mensagens em redes sociais, lobby e o cúmulo de todos que é arrancar clientes de dentro de carros. Claro que isso não quer dizer que TODOS os taxistas são criminosos, mas alguns no meio mancham a imagem de toda a categoria. Categoria que sim, é trabalhadora e que quer apenas levar seu sustento para casa.

Mas porque estou falando sobre isso em um blog de tecnologia móvel? Simples, porque envolve o uso dela. E também porque me deu vontade. 😉

Voltando ao assunto, fiquei pensando outro dia sobre porque os taxistas estão tão revoltados a ponto de atacar pessoas na rua. Será que estão perdendo clientes? Não segundo um estudo divulgado pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no qual revela que o Uber até agora apenas gerou uma nova demanda no mercado.

Então porque seria isso? Todos sabem que a maioria das linhas de taxis não está na mão dos taxistas, mas de algumas poucas pessoas mais ricas. Então porque eles tem tanto medo assim? Não seria mais fácil mudar para o Uber, ganhar mais dinheiro e ser dono do seu próprio negócio ao invés de ficar alugando linhas dos outros?

Depois de algumas pesquisas acho que entendi um dos motivos para esse medo (sim, medo da tecnologia). Resumo este em apenas uma palavra: “Golpes“.

Quantos de vocês já pagaram mais caro no serviço de taxi porque deram uma volta maior do que precisava? Esse é um golpe mais do que antigo, mas se procurarem bem encontrarão muitos outros (dinheiro falso, golpe da nota de menor valor, acordos com traficantes, sequestros relâmpagos… a lista é gigante).

Procurem por um programa chamado “Capitais do Delito” (disponível em serviços como Netflix e TVs por assinatura). É uma série sobre golpes aplicados em turistas ao redor do mundo. Em quase todos os episódios há algum praticado por taxistas. (Sim taxistas do Rio de Janeiro, vocês também estão no programa).

E onde entra o Uber nisso? É que com o uso de um serviço desse tipo fica muito mais difícil ocorrerem os golpes. A rota fica mais fácil de ser traçada e seguida, não há dinheiro em espécie para ser manipulado e você sabe antes do carro chegar quem o irá transportar bem como sua classificação (o que é muito importante pois golpistas são expulsos do serviço). Além disso é possível, com um toque na tela de seu smartphone, informar outras pessoas sobre onde você está, para onde está indo e com qual motorista. Dessa maneira como as “frutas podres” dentre os taxistas irão aplicar algum golpe?

Infelizmente o Uber ainda não está disponível em grande escala aqui no Brasil e são poucas as capitais onde o serviço funciona (Brasília, Belo Horizonte, Campinas, Goiânia, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo até a publicação deste post). Isso me obriga a adotar soluções diferentes para fugir dos taxistas em minhas viagens para outras cidades. Dentre elas opto por alugar um carro, usar transporte público ou mesmo me locomover caminhando.

Volto a repetir, parei de usar taxis por culpa deles mesmos e não propriamente por causa do Uber. Taxistas, vocês precisam entender que o problema não é o aplicativo, mas sim o serviço que prestam. Você taxista revoltado que está lendo isso precisa parar de colocar a culpa em quem não tem. Comece a trabalhar direito, com educação e principalmente sem aplicar golpes.

Mas enfim, esse foi meu momento desabafo.

Minha mudança para o “pós-TV”

Minha mudança para o “pós-TV”
Minha mudança para o “pós-TV”

 

 Outro dia recebi a visita de um amigo que durante uma conversa me perguntou se meus filhos já haviam assistido a um determinado desenho na TV à cabo. Confirmei que já haviam assistido mas não na TV à cabo porque não temos assinatura há vários anos. Passados alguns segundos onde ele parecia estar em “loading…” veio a pergunta: “Então vocês só assistem a programação aberta?”. O mais engraçado foi perceber a expressão de “Ué?” dele quando respondi que também não assistimos isso.

Essa é uma situação até que corriqueira lá em casa para as pessoas que não sabem de certos hábitos meus. Me afastei totalmente da TV aberta e hoje consigo ficar alheio à programação tão cultural e educativa que temos à nossa disposição (Big Brother Brasil, Faustão, Esquenta, Zorra Total, novelas e outras maravilhas).

Nisso mudei também minha forma de consumir entretenimento (filmes, séries, desenhos, programação esportiva…) desde que resolvi tornar esse aspecto um pouco mais minimalista. Antigamente era um consumidor exagerado de mídias físicas. Eram Terabytes de espaço para filmes, somados a centenas (literalmente) de DVDs.

Quando chegou ao ponto de não ter mais aonde guardar tanta coisa resolvi mudar, dar um basta nisso e procurar outra solução. Até pensei em voltar a ter uma assinatura de TV à cabo mas a quantidade de canais irrelevantes, o valor cobrado e todo o tempo de propagandas nas programações me afastaram desta idéia. Já tentaram algo simples como assistir um desenho com seus filhos? É irritante como inserem propaganda de brinquedo até no meio do desenho! Propaganda de assinatura da operadora de TV dentro da programação. Pô, se já estou assistindo é porque assinei certo? Ainda penso que se é um serviço por assinatura não deveria ter propagandas. Enfim, não dá.

Foi quando comecei a me interessar pelo streaming. Neste embalo testei o Cennarium (teatro online) ligando o computador à TV (ainda não existiam smartTVs), adquiri um Apple TV e comecei a testar outros serviços como Netflix e iTunes para filmes.

Programação esportiva via streaming é um ponto um tanto problemático ainda por não haver alguma alternativa boa aqui no Brasil. Há o Esporte Interativo, mas ainda conta quase que apenas com futebol (e umas pitadas de MMA/WWE). Eu até que me viro bem já que gosto de outros esportes não tão convencionais por aqui (Hockey, Futebol americano…) que possuem alternativas no Apple TV. Minha esposa é que sofre um pouco pois vôlei, natação (esportes que ela gosta) e notícias estão ainda presos às emissoras convencionais. Aliás, ela é a única que ainda assiste TV lá em casa.

Fato é que nesta mudança acabei influenciando meus filhos. Eles assistem muita coisa entre desenhos, filmes e séries, mas nada vindo das emissoras de TV. A facilidade com que eles tem em manusear o Apple TV e escolher o que assistir impressiona. O uso é basicamente de Netflix para a “programação de catálogo” e iTunes para as novidades. Ultimamente até essa questão de ser “catálogo” está mudando no Netflix com a chegada de muito conteúdo atual. Discovery Kids? Cartoon Network? Só na casa dos meus pais ou em hotéis durante alguma viagem.

Um lado “engraçado” são as tentativas das operadoras de TV à cabo para vender contratos lá para casa. Oferecem centenas de canais (quase tudo porcaria) recheados de propaganda e a preços bem altos como se fosse um grande negócio para minha família. Uma vendedora já chegou ao ponto de me criticar quando soube que opto pelo Netflix. É mole?

Vejo gente comentando sobre, finalmente, o fim da transmissão analógica da TV aberta e que será tudo digital no Brasil em alguns meses. De que adianta mudar a forma de transmissão se continuarem pensando e trabalhando da mesma forma?

Quero ver como será, no futuro, a interação dos meus filhos com os conteúdos de entretenimento. Acredito que para eles a coisa será bem diferente do que foi para mim, e muito mais do que foi para os meus pais. Ter de se programar para um dia e horário certo poder assistir a um programa caso contrário irá perdê-lo? Esperar até a semana seguinte para saber como será o próximo episódio da série? Não vejo mais isso dando certo para a nova geração.

Sei que ainda não é uma realidade para a grande maioria das pessoas, mas vejo essa mudança acontecer com várias pessoas ao redor. Ou vocês acham que é à toa que as TVs à cabo estão implementando algo como o “Now”, ou mesmo emissoras “globais” disponibilizando programação on-line? A TV como conhecemos hoje deve se reinventar e mudar bastante. É isso ou irá dar o braço para as mídias físicas da música ou aos livros e jornais impressos e ficar no passado.